TECNOLOGIA DE RECONHECIMENTO FACIAL

A APLICABILIDADE NAS FERRAMENTAS EDUCACIONAIS


Da Redação


Você já deve saber que computadores enxergam pessoas, objetos, animais. E isto é sensacional, não é mesmo? Os primeiros passos para tal avanço se deram na década de 70, onde a ideia de uma visão computacional tratando tanto da tecnologia, quanto da ciência, viabilizou máquinas a enxergarem.  
A máquinas não veem como os humanos, nas mesmas dimensões e com os mesmos significados. Elas reconhecem. Mas, é tal ciência que produz a tecnologia que atualmente está embarcada desde carros autônomos, detecção de segurança em aeroportos, constatação de tempo de maturação de frutas, acompanhamento de irrigação de campos de plantação, verificação automatizada de qualidade em produtos ainda em esteira de fabricação na indústria e até corredores de lojas de conveniência.
O reconhecimento facial é um conceito desenvolvido na década de 1960. O primeiro sistema para reconhecimento da face possibilitava a localização de características em fotografias (olhos, orelhas, nariz). Em 1970 já era possível detectar 21 marcadores específicos como cor do cabelo e a espessura dos lábios. Em 1988 a técnica de cálculo standard foi aplicada para otimizar a análise de componentes.
A tecnologia tem evoluído gradativamente e tomando conhecimento popular. Atualmente o sistema é aplicado em diversas áreas e possui uma atenção especial para casos de combate a fraudes, reforço de legislações, identificação de crianças desaparecidas e fraudes relacionadas a benefícios/identidade.
O conceito da identificação digital já é percebido naturalmente pela biometria que utilizamos para identificação das pessoas por suas digitais, seja para desbloquear seu celular ou acessar um sistema bancário, fazer operações financeiras e até votar nas eleições. Também é incorporado na técnica biométrica em que os softwares relacionam e identificam o rosto humano como uma assinatura facial.
Atualmente, existem três grandes frentes de visão computacional utilizada e aplicada em humanos:
1.Detecção Facial – que plota faces humanas, isto é, reconhece (e indica) se existe ou não um rosto humano na imagem capturada;
2.Identificação / Reconhecimento Facial – realiza a verificação de identidade baseada em um rosto previamente detectado;
3.Liveness – utilizado para indicar se a imagem do rosto que está sendo processado foi capturada de um ser humano vivo ou se foi obtida de uma outra imagem.
Além do reconhecimento facial, é possível obter dados de humor (se a pessoa detectada está com raiva, feliz, chateada, com dor) dados de etnia, mensuração de idade e sexo.
No Liveness, por exemplo, é possível obter a probabilidade de a imagem pertencer a uma pessoa viva e não de uma foto ou cópia de tela. Isto é feito, basicamente, da seguinte forma: O software responsável por obter as imagens captura não uma foto, mas sim uma sequência de quadros contínuos, intercalados em milissegundos. Com tal sequência de imagens são aplicadas técnicas para verificar a diferença entre elas e provar vida.
É importante ressaltar que os algoritmos não somente verificam se a “pessoa está se mexendo na foto”, como também mostram pontos bem mais sutis, como amplificar canais de cor, pequenos movimentos ou espasmos musculares na mesma superfície, constatar o batimento cardíaco por meio da coloração da pele. É possível, a partir daí, determinar se aquela captura é de uma pessoa que se encontra viva ou não (se é apenas uma foto de uma foto).

Tendências
Essa tecnologia vem se popularizando no Brasil e no mundo. Fatores como a diversificação de aplicação e o avanço nas técnicas de inteligência artificial tem promovido a precisão, tanto na capacidade de reconhecimento de pessoas como no mapeamento de diferentes expressões. Além disso, o barateamento desses sistemas facilita a popularização. Nos EUA e Canadá, por exemplo, a plataforma SAFR (Reconhecimento Facial Seguro e Preciso) oferece funcionalidades de inteligência artificial de reconhecimento em tempo real para escolas e diversos ambientes, de forma gratuita.

Polêmica
Na China, uma ferramenta chamada SenseVideo tem funcionalidades de reconhecimento de face e objetos, mas tem sido alvo de polêmicas por utilizar câmeras para monitorar atos e movimentações de cidadãos, com intuito de firmar “notas sociais” para cada pessoa. Na Rússia, o aplicativo FindFace também foi questionado ao disponibilizar a localização de pessoas por meio do perfil delas em uma rede social famosa no país.
(Fonte: agenciabrasil.ebc)
Na mesma proporção que as alternativas de monitoramento crescem, as tecnologias de reconhecimento de face passam a despertar preocupações, com relação a segurança das informações e os direitos civis. Em maio de 2019, conselheiros municipais de San Francisco, nos EUA, proibiram a polícia e outras agencias públicas de usar a tecnologia de reconhecimento facial, sendo a primeira cidade americana a adotar essa medida. Eles alegaram que a propensão da tecnologia em questão pode colocar em perigo os direitos e as liberdades civis, superando substancialmente seus benefícios.
(Fonte : G1)

Avanços
A tecnologia de reconhecimento e validação facial tem crescido exponencialmente. Com a evolução dos softwares já é possível detectar a dilatação da pupila, textura de pele, músculos, expressões e movimentos dos olhos para fortalecer a segurança da validação. Pode-se ainda utilizar câmeras duplas, projetor de pontos infravermelho para assegurar o processo.
Soluções de validação propõem simplificar caminhos como o de compras a partir do reconhecimento facial, por exemplo. A startup Uniqul da Finlândia, utiliza um sistema de pagamento levando cerca de cinco segundos para ser realizado. Na interação, o cliente se aproxima do caixa para que o rosto seja detectado e associado ao núcleo de dados da empresa.
(Fonte: Hypeness)
A tecnologia também já opera no Brasil.  O sistema Facewatch, em parceria com o Disque Denúncia e a polícia do Rio de Janeiro, já busca criminosos utilizando o reconhecimento facial. Ao identificar o suspeito, o sistema envia uma notificação para as autoridades próximas ao local, possibilitando abordagens de prisão pacíficas. A mesma ferramenta já é utilizada no Reino Unido, com cerca de 30 mil câmeras distribuídas pelo país.
(Fonte: Canaltech)

Educação
O campo de aplicação dessa tecnologia é amplo. As iniciativas vão do mercado de segurança até o financeiro e existem projetos para o mercado educacional, já que o sistema de autenticação pode facilitar muitas operações. O Ministério da Educação (MEC) identificou a tendência e a necessidade em criar normas para que as faculdades possam realizar avaliações de qualquer lugar, desde que garantam a identificação do aluno.  Um exemplo é o da startup brasileira, a FullFace. Eles criaram um algoritmo próprio para reconhecimento via Web e mobile, uma solução de biometria facial, destinada ao mercado de ensino a distância (Ead).
(Fonte: inforchannel)
Todas as tecnologias necessitam de controle e investimento em segurança. Para especialistas na área, se comparado com outras tecnologias biométricas, o reconhecimento facial é menos invasivo, mais confiável e menos suscetível a alterações de amostras em relação a assinaturas escritas ou digitais.
(fonte: Senior)
O Brasil já utiliza tecnologias de reconhecimento facial em 37 cidades para os mais diversos casos – isto sem contar o meio privado. A tendência é que a utilização aumente de forma exponencial, pois diversos entes públicos têm procurado publicamente no mercado soluções para o cadastro, processamento e uso de identificação facial.  
O Grupo ISG investe em abordar tais tecnologias de inteligência artificial para processamento de visão computacional. Segundo o especialista em TI, Dirceu Silva, a iniciativa partiu de um estudo proposto no Grupo e da oferta de mercado. “Iniciamos um trabalho que era de comparar os recursos tecnológicos que estávamos trazendo como inovação face aos produtos que já são desenvolvidos e mantidos dentro do Grupo ISG. E começamos a casar inovação com necessidades”, explica.

A tecnologia já é presente em projetos que utilizam inteligência aplicada a negócios e necessidades humanas dentro da ISG. “Apoiamos o desenvolvimento e inclusão de detecção e reconhecimento facial na plataforma de ensino a distância, que é desenvolvida pelo Grupo ISG, dentro da ÓROS Educação.  Atualmente conseguimos realizar a verificação de presença, limitar a entrega de conteúdo de acordo com o usuário (se o usuário sair da frente do computador o conteúdo é bloqueado) e estamos desenvolvendo o controle coletivo de sala de aula”, afirma Dirceu. E o objetivo é maior.
Segundo o especialista, o projeto inclui um piloto que detecta e acompanha o sentimento dos alunos. O objetivo é correlacionar os dados com o conteúdo das aulas, comparando o sentimento dos estudantes, além do rendimento acadêmico. “Teremos ideia se a aula foi positiva ou negativa, o que será um grande avanço no ensino e uma ferramenta importante de feedback para os educadores”, defende.
Tornar a tecnologia compatível com redes de baixa capacidade e câmeras de baixa resolução ainda são as maiores dificuldades apontadas. Mas Dirceu Silva aposta no reconhecimento facial como uma tecnologia de diferencial para o futuro. “Dentro do grupo ISG estamos construindo um hub de inteligência artificial que atenda a plataforma OROS e que esteja preparada para atender demais plataformas. Esperamos que o uso de reconhecimento facial e controle baseado em detecção seja cada vez mais usado no Brasil”.

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